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Exemplos de Comportamentos Inadequados do Psicoterapeuta

Marsha Lineham, em seu excelente livro intitulado “Terapia Cognitivo Comportamental para Transtorno da Personalidade Bordeline – Guia do terapeuta - ” (Artmed, 2010) apresenta um quadro (pg 140) com uma lista de comportamentos desrespeitosos do terapeuta para com pacientes como o transtorno abordado no livro.

Acredito que esses comportamentos inadequados do terapeuta podem ocorrer não só com pacientes com transtorno bordeline, mas potencialmente com qualquer outro caso. Por esse motivo, penso ser interessante publicar essa lista, pois pode ser útil tanto para os psicoterapeutas avaliarem exemplos de contratransferência, como para os pacientes avaliarem a capacidade teórica, técnica, ética e psicológica do profissional.

Independente da linha teórica do psicoterapeuta, antes de sermos especialistas em qualquer área, somos Psicólogos! Quando vamos prestar um serviço, temos que ter em mente que estamos representando uma classe inteira. Profissionais pouco comprometidos prejudicam os pacientes e os colegas de profissão, pois nosso trabalho fica desacreditado.

 Obviamente, todos nós já sentimos ou vamos sentir contratransferência, mas cabe ao bom profissional reconhecer isso e procurar supervisão, psicoterapia própria ou grupo de estudos para que o trabalho não fique prejudicado.

 A seguir, 26 exemplos de comportamentos desrespeitosos do terapeuta:

1.       Faltar ou esquecer consultas.

2.       Cancelar consultas sem remarcar.

3.       Mudar suas políticas com o paciente arbitrariamente (p. ex, mudar políticas de telefonemas, horários, etc.)

4.       Não retornar mensagens ou telefonemas, ou demorar muito para retornar.

5.       Perder papéis/arquivos/anotações.

6.       Não ler as notas ou papéis que a paciente lhe dá.

7.       Atrasar-se para consultas.

8.       Aparência ou modo de vestir pouco profissional.

9.       Má higiene física.

10.   Consultório desarrumado ou sujo.

11.   Fumar durante as sessões.

12.   Comer ou mascar chiclete durante consultas.

13.   Não fechar as portas durante a sessão.

14.   Permitir interrupções como telefonemas ou mensagens.

15.   É desatento durante as sessões ou telefonemas.

16.   Esquecer informações importantes.

17.   Repetir-se, esquecer o que disse.

18.   Aparentar estar visivelmente cansado ou fatigado.

19.   Cochilar na presença do paciente.

20.   Evitar contato ocular.

21.   Falar sobre outros pacientes.

22.   Falar que gostaria de estar fazendo outra coisa.

23.   Olha muito o relógio na presença do paciente.

24.   Terminar as sessões prematuramente.

25.   Referir-se ao paciente de maneira sexista, paternalista ou maternal.

26.   Tratar o paciente como alguém inferior ao terapeuta.

 

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Características da Reabilitação Neuropsicológica Holística

Entre as formas de Intervenção Neuropsicológica, atualmente a Reabilitação Holística é a que vem tendo mais destaque e estudos. O termo Holístico dentro dessa perspectiva se refere ao TODO, as várias facetas que integram o organismo e não há aspectos místicos e sem fundamento científico.
A ideia de que o TODO é maior que a soma das partes não é uma ideia nova dentro da Psicologia, já sendo discutida há décadas dentro da Psicologia da Gestalt, que mais tarde foi uma das influencias da Gestalt Terapia.
Atualmente, essa ideia vem sendo discutida e implantada também na reabilitação neuropsicológica de pacientes com alterações cognitivas, emocionais e comportamentais decorrentes de injúrias no Sistema Nervoso. Algumas das características desse sistema de reabilitação serão expostas a seguir com o objetivo de divulgar conhecimentos aos interessados no assunto. As informações foram retiradas do livro “Reabilitação Neuropsicológica” (Jaqueline Abrisqueta-Gomes, Artmed, 2012):

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Principais Tipos de Demências

Nas últimas décadas a expectativa de vida tem aumentado substancialmente, entretanto, infelizmente, esse fato não é sinônimo de qualidade de vida entre idosos, principalmente em nosso meio. Umas das patologias que mais acometem os idosos são as demências. Em muitos casos não é uma tarefa simples a diferenciação entre Perda Cognitiva normal do envelhecimento, Comprometimento Cognitivo Leve e Demências. Com o objetivo de informar e alertar as pessoas que possuem idosos em casa e a todos os interessados no assunto, descreverei muito resumidamente os principais tipos de demências, definida como uma síndrome caracterizada pelo declínio da capacidade intelectual, suficientemente grave para interferir nas atividades sociais ou profissionais, que independe de distúrbio do estado da consciência (vigília) e é causada por comprometimento do sistema nervoso central (Nitrini, 2012):
Comprometimento Cognitivo Leve: O CCL é um estágio intermediário entre a cognição normal e a demência. A tendência é a evolução para um quadro patológico. Nesse quadro o comprometimento cognitivo existe, mas é leve e não chega a causar prejuízo evidente nas atividades do dia a dia do indivíduo. O comprometimento pode ser na memória ou outras funções cognitivas. O diagnóstico é essencialmente clínico e deve estar apoiado nas características clínicas do quadro: diagnóstico de declínio cognitivo, preservação relativa da funcionalidade e ausência de demências (Nitrini, 2012).
Doença de Alzheimer: A doença de Alzheimer é a causa mais frequente de demência, aumentando exponencialmente com a idade. O diagnóstico provável baseia-se em demência estabelecida por exame clínico, documentado por MEEN, escalas de demências e confirmada por avaliação neuropsicológica, com déficits em duas ou mais áreas da cognição (Brucki e Porto, 2012). Na avaliação neuropsicológica a doença de Alzheimer caracteriza-se, principalmente nos estágios iniciais, por comprometimento de memória recente, permanecendo a memória remota relativamente intacta. O desempenho em tarefas de evocação tardia, em particular para material verbal, é o melhor diferencial entre pacientes com doença de Alzheimer leve e indivíduos saudáveis. Déficits em nomeação e fluência verbal, sobretudo para categoria semântica, estão associados a essa patologia. Provas de habilidades construtivas, como cópia de figuras e tarefas de funções executivas, envolvendo memória operacional e mudança de set, são sensíveis nos primeiros estágios (Brucki e Porto 2012).

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Neuropsicologia das Cefaléias

A Neuropsicologia clínica é uma área da Psicologia que se preocupa em avaliar e (re) habilitar as alterações cognitivas, emocionais e comportamentais decorrentes de qualquer injúria no Sistema Nervoso Central. Em algumas dessas injúrias a Neuropsicologia já é reconhecida como tendo um papel importante, como por exemplo, AVEs, Traumatismos Crânio-Encefálicos, Demências e Transtornos de Aprendizagem, para citar algumas. Não obstante, em várias outras injúrias a Neuropsicologia ainda é pouco chamada para dar sua contribuição, muito provavelmente por desconhecimento por parte dos profissionais e do público em geral, sendo as Cefaléias uma dessas injúrias. O presente manuscrito se configura um resumo do capítulo “Neuropsicologia das Cefaléias”, de Costa-Silva e Teixeira, 2008. In. Neuropsicologia: teoria e prática, 2008. Daniel Fuentes and cols, Artmed.

A dor de cabeça ou cefaléia pode ser definida como qualquer dor localizada acima da linha média orbitomeatal. É um sintoma comumente encontrado na prática clínica e por isso muitas vezes banalizado, mas conforme a intensidade e freqüência dos episódios, a dor de cabeça pode acarretar significativas repercussões sócio-ocupacionais na vida do indivíduo.

A Cefaléia pode ocorrer como sintoma principal de uma síndrome neurológica (primárias) ou como parte de uma doença em evolução (secundárias). As cefaléias primárias representam um grupo de cefaléias crônicas, recorrentes e de natureza não-estrutural, que são as mais comuns na prática clínica. Entre as cefaléias primárias, destaca-se a do tipo tensional e a migrânea (enxaqueca).

Na prática clínica, os pacientes com cefaléia, sobretudo migrânea, queixam-se comumente de algum grau de prejuízo de memória, atenção ou concentração. São frequentes os relatos de dificuldade para lembrar recados, números de telefone, endereços ou nomes de pessoas, assim como os de esquecimento de frases ou palavras. Assim, a avaliação neuropsicológica das funções cognitivas desses pacientes e o adequado tratamento podem contribuir para melhorar o seu desempenho sócio-ocupacional.

Os dados de pesquisa mostram que na cefaléia tensional, o tipo mais comum, não há diferenças cognitivas significativas entre as pessoas que possuem a doença e as que não possuem. Já na migrânea, popularmente conhecida por enxaqueca, os resultados mostram uma tendência de os pacientes apresentarem pior desempenho em tarefas de memória verbal, memória visual e funções executivas, quando comparados a sujeitos sem cefaléia.

Sendo assim, torna-se importante a avaliação e intervenção neuropsicológica em pacientes com cefaléia, sobretudo a enxaqueca, já que muitas das alterações cognitivas causam impactos desfavoráveis na vida do indivíduo, mas usualmente são facilmente compensadas com estratégias neuropsicológicas, sobretudo em pacientes onde não há dano estrutural do Sistema Nervoso Central, como é o caso da cefaléia primária.

 

 

 

 

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Mitos e Concepções Equivocadas sobre a Terapia Cognitivo-Comportamental

Mesmo com o grande crescimento das Terapias Cognitivo-Comportamentais, ainda é grande o desconhecimento e equívocos de boa parte de psicólogos, alunos de graduação, médicos e público em geral acerca dessa abordagem psicoterápica. Observa-se com freqüência preconceitos e confusão entre Terapias Cognitivo-Comportamentais e Terapia puramente Comportamental (Behaviorismo). Com o objetivo de alertar os leitores e quem sabe ajudá-los a desconstruir alguns mitos e concepções equivocadas, escrevo a seguir, de forma resumida, a última sessão do primeiro capítulo do livro “Terapia Cognitivo-Comportamental na Prática Psiquiátrica” de Paulo Knapp & Colaboradores; Artmed, 2004.
Mitos e concepções equivocadas sobre a Terapia Cognitiva
1. A terapia Cognitiva é baseada no “poder do pensamento positivo”: A TC é baseada no poder do pensamento mais realista: Uma visão irrealistamente otimista pode ser tão prejudicial quanto uma visão irrealistamente negativa. O objetivo da TCC não é o pensamento positivo, mas a correção dos pensamentos distorcidos ou disfuncionais, promovendo formas mais adaptativas de lidar com os problemas reais.
2. A teoria cognitiva de psicopatologia propõe que os pensamentos negativos distorcidos causam a psicopatologia: Embora os pensamentos distorcidos façam parte do ciclo vicioso da psicopatologia, eles não são o único fator importante. Os desequilíbrios bioquímicos, os eventos de vida e as relações interpessoais são elementos que interagem conjugadamente, formando a psicopatologia. Os ciclos que perpetuam os transtornos podem iniciar-se em qualquer ponto, mas, uma vez iniciados, as cognições têm papel importante e provêem uma possibilidade de intervenção valiosa.
3. A terapia cognitiva é simples e apenas utiliza o senso comum: Embora a teoria que embasa a TCC pareça bastante simples e fácil de entender, a prática da TCC é bem menos fácil.
4. A TCC convence as pessoas a sair dos seus problemas: A TCC não comunga do estilo argumentativo utilizado no modelo racional-emotivo-comportamental de Ellis. Na TC, o terapeuta guia o paciente para que ele próprio faça descobertas, ao observar criticamente suas distorções, diminuindo, assim, suas resistências e estimulando o desenvolvimento de habilidades necessárias para futuramente analisar por si mesmo seus problemas.

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Transtorno de ansiedade Obsessivo Compulsivo (TOC): Principais Sintomas e Tratamento Cognitivo-Comportamental

O transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) é uma doença muito comum que acomete cerca de 2% das pessoas ao longo da vida; é considerada uma das doenças neuropsicológicas mais graves e incapacitantes. Seus portadores estão permanentemente ansiosos com a possibilidade de que algo de terrível possa acontecer, como contrair uma doença, incendiar a casa ou cometer falhas, eventos pelos quais se sentem responsáveis. Essas preocupações e medos os obrigam a fazer rituais como lavar as mãos, tomar banhos ou lavar as roupas excessivamente, bem como fazer verificações de forma repetida, acreditando que, com tais atos, podem impedir que os desastres ocorram. Além disso, são atormentados quase que permanentemente por medos, dúvidas, pensamentos impróprios e cenas violentas ou chocantes dos quais não conseguem se livrar, o que compromete seriamente sua vida pessoal e de sua família (Cordioli, 2008). Levando-se em consideração a falta de conhecimento das pessoas em relação a esse transtorno de ansiedade, e consequentemente a demora em procurar ajuda médica e psicológica, o objetivo do presente texto é apresentar de forma sucinta alguns conceitos básicos, utilizando principalmente o livro de Cordioli (2008) como referência, além de expor de forma muito breve o tratamento Cognitivo-Comportamental.
Obsessões
No contexto do TOC, obsessões são pensamentos ou impulsos que invadem a sua mente de forma repetitiva e persistente. Podem ser cenas, palavras, frases, números, músicas, etc. Geralmente são desagradáveis, pois são acompanhadas de medo, angústia, culpa, desconforto, nojo ou desprazer. O indivíduo, no caso do TOC, mesmo não desejando ou considerando tais pensamentos absurdos, impróprios ou ilógicos, não consegue afastá-los ou suprimi-los.
Obsessões mais comuns
- Preocupação excessiva com sujeira, germes ou contaminação.
- dúvidas e necessidades de ter certeza.
- preocupação com simetria, exatidão, ordem, sequencia ou alinhamento.
- pensamentos, cenas ou impulsos de ferir, insultar ou agredir outras pessoas.
- pensamentos e cenas violentas.
- Preocupação em armazenar, poupar, guardar coisas inúteis ou economizar excessivamente.
- pensamentos impróprios relacionados a sexo.
- Religião (blasfêmia, pecado, culpa etc).
- pensamentos supersticiosos.
- palavras, nomes, cenas ou músicas indesejáveis.
Compulsões ou Rituais

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Traumatismo Crânio-Encefálico e a importância da Avaliação Neuropsicológica

Após receber um paciente para avaliação neuropsicológica com TCE e ouvir ele e a esposa dizendo que um neurologista comentou que uma avaliação neuropsicológica não era necessário, resolvi escrever um breve resumo sobre TCE e as alterações cognitivas que normalmente acometem indivíduos com esses quadros. Obviamente, essa não é a opinião geral dos médicos, tanto é que outro médico acabou sugerindo a avaliação.  Não obstante, se nem alguns médicos conhecem a importância desse trabalho, quem dirá os pacientes.
Indivíduos com TCE têm ocupado um número crescente de leitos na reabilitação das clínicas de emergência médica e novas intervenções médicas, cirúrgicas e farmacológicas têm aumentado a média de sobrevivência para lesões cada vez mais graves. Aproximadamente 20% dos casos de TCE são categorizados como lesões de moderada a grave, com o restante sendo classificado como leve. Embora um acontecimento que resulte em TCE possa ocorrer a qualquer pessoa em qualquer idade, os homens sofrem duas vezes mais TCE do que mulheres, e indivíduos na faixa etária entre 15-24 anos apresentam maior incidência de TCE.
Existem múltiplas origens de dano cerebral na maioria dos casos de TCE. Primeiro, o dano pode ser resultado de uma força mecânica. Se a cabeça bateu ou entrou em forte contato contra uma superfície rígida, há uma translação de forças de ponto de contato com a cabeça. Isso pode resultar em fraturas cranianas e lesão focal de tecidos cerebrais importantes.
Segundo, forças de aceleração-desaceleração acontecem quando de repente a cabeça pára, mas o cérebro continua na direção original do movimento e, então, a cabeça ricocheteia na direção oposta. Podem ocorrer áreas de contusão ou de equimose no tecido cerebral que colide com o crânio.
Também ocorre lesão quando a superfície interior do cérebro é fortemente empurrada contra a superfície óssea áspera e irregular na base do crânio. As superfícies interiores orbital e lateral dos lobos frontal e temporal são particularmente vulneráveis a este tipo de lesão. Contusões são causas comuns da patologia focal associadas à TCE e são comuns em acidentes com carros e em quedas de alturas.
Outra causa de lesão focal ocorre com a interrupção do sistema vascular. As forças de aceleração-desaceleração discutidas acima podem romper pequenos vasos sanguíneos das meninges e superfície cerebral.
Forças de aceleração-desaceleração também podem ter efeitos de estiramento, deformação e cisalhamento nos neurônios. Este tipo de lesão tem sido chamado de Lesão Axonal Difusa (LAD). Quando um axônio é destruído ou significativamente lesado, o neurônio inteiro, incluindo o corpo celular, morre. Além disso, outros neurônios que dependem do neurônio lesado para receber o estímulo também podem morrer. Dependendo do grau de localização da LAD, grandes porções dos hemisférios cerebrais, bem como o tronco cerebral, podem ser lesadas.

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Metacognição: o livre arbítrio darwiniano?

Ao ler a matéria do dia 29 de abril, chamada “Livre-arbítrio: uma ficção” pensei o quanto é intrigante alguns pesquisadores do comportamento humano, em 2012, fazerem a mesma “disputa” que Platão e Aristóteles faziam antes de Cristo, ou seja, Idealismo VS Realismo ou, muito mais tarde, a disputa entre o Racionalismo de Descartes e o Empirismo de Locke e Hume. A cisão entre Natureza e Ambiente, infelizmente ainda permanece nas ciências.
De acordo com a matéria, basicamente, existe atividade neural antes de uma intenção se tornar consciente e ainda por cima nos faz a gentileza de provocar a sensação de que estamos no comando. Ok. Qual a novidade disso e que diferença faz? Freud já dizia a mesma coisa com a metáfora de que o consciente é apenas a ponta do iceberg. O livro “O novo inconsciente” de Marco Callegaro também deixa claro que temos muito mais atividade inconsciente do que consciente. Mas isso significa que não temos livre-arbítrio?
O cérebro humano evoluiu para resolver problemas, garantir a sobrevivência e propagar a espécie. Nota-se que resolver problemas, se proteger e copular necessariamente envolve a relação entre cérebro e ambiente. Se a matéria cita que existe alteração funcional no córtex pré-frontal de pessoas com esquizofrenia e psicopatia, por exemplo, já se sabe que o ambiente que essas pessoas crescem modula a expressão ou não de determinados genes. A genética influencia, mas não é destino.
Em momento algum na matéria se fala em Metacognição, que é a capacidade de pensar sobre os nossos pensamentos automáticos. De modo geral, é essa uma das ajudas que a Psicoterapia proporciona, mas existem incontáveis pessoas que fazem isso por conta própria. O que importa se existe atividade neural antes da Metacognição e não temos consciência de que vamos refletir?
Concordo com António Damásio, famoso cientista português citado na matéria. A consciência não é o ápice da evolução humana. O ápice é a arte, a justiça, filosofia e educação, enfim, é aquilo que a consciência nos proporcionou fazer e aquilo que devemos melhorar cada vez mais, independente se isso parte de uma atividade neural consciente ou não.

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Intersecção entre Neuropsicologia Clinica e Psicoterapia Cognitivo-Comportamental

 

A Neuropsicologia Clínica e Terapia Cognitivo-Comportamental são duas áreas epistemologicamente congruentes. A intersecção entre as duas abordagens em vários casos (nem todos os casos é necessário a intersecção) tem se mostrado de grande valia e melhorado a qualidade e velocidade dos tratamentos devido ao maior entendimento e recursos que as duas áreas juntas possibilitam.
O presente texto que por objetivo expor, primeiramente, conceitos básicos sobre as abordagens e em seguida o modo como podem ser utilizadas conjuntamente.
A Neuropsicologia clínica é um campo do conhecimento interessado em estabelecer as relações existentes entre o funcionamento do Sistema Nervoso Central, por um lado, e as funções cognitivas e o comportamento, por outro, tanto nas condições normais quanto nas patológicas.
O neuropsicólogo clínico atua na avaliação, reabilitação ou ambas. Avaliação Neuropsicológica consiste no método de investigar as funções cognitivas e o comportamento. Trata-se da aplicação de técnicas de entrevistas, observações, exames quantitativos e qualitativos das funções que compõem a cognição abrangendo processos como Atenção, Memória, Linguagem, Percepção, Funções Executivas, Inteligência, Funções vísuo-motoras e espaciais, entre outras.
Já a (Re) Habilitação Neuropsicológica é um processo onde se utilizam técnicas remediativas (treino cognitivo) ou compensatórias (adaptativas) visando à maior recuperação possível ao nível físico, cognitivo, psicológico e de adaptação social das pessoas com alterações cognitivas.
Os problemas neuropsiquiátricos normalmente avaliados e tratados pela Neuropsicologia são TDAH, Problemas de Aprendizagem Escolar, Tumores Cerebrais, Epilepsia, AVC (derrames), Mal de Parkinson, Demências, Esquizofrenia, Uso de Drogas, Encefalite, entre outros problemas que podem causar danos cognitivos e comportamentais.
Psicoterapia Cognitivo-Comportamental é um termo genérico que abrange uma variedade de mais de 20 abordagens dentro do modelo cognitivo e cognitivo-comportamental.
Todas as terapias cognitivo-comportamentais derivam de um modelo prototípico e compartilham alguns pressupostos básicos, mesmo quando apresentam diferentes abordagens conceituais e estratégias nos diversos transtornos. Três proposições fundamentais definem as características que estão no núcleo das terapias cognitivo-comportamentais:
1. A atividade cognitiva influencia o comportamento.
2. A atividade cognitiva pode ser monitorada e alterada.
3. O comportamento desejado pode ser influenciado mediante a mudança cognitiva.
Uma frase muito utilizada para definir esses pressupostos foi a do filósofo Epitectus, no século 1: “O que perturba o ser humano não são os fatos, mas a interpretação que ele faz dos fatos”.

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Possíveis alterações cognitivas, comportamentais e afetivas após AVCs

Os Acidentes Vasculares Cerebrais (AVCs) estão entre as lesões cerebrais adquiridas que mais provocam alterações cognitivas, afetivas e comportamentais e podem perdurar por muito tempo ou mesmo durante toda a vida numa parcela dos pacientes acometidos. Enquanto nas lesões mais graves essas alterações são nítidas, em lesões menores nem sempre as alterações são percebidas facilmente, o que pode prejudicar a funcionalidade do paciente em vários aspectos, como laboral, social, psíquico e pessoal. Desse modo, o presente manuscrito por finalidade apresentar algumas características de alterações nessas áreas que podem se manifestar de forma sutil e auxiliar os pacientes e pessoas envolvidas a percebê-los e procurar ajuda específica.

Entre as funções cognitivas, a Atenção é, provavelmente, aquela que mais frequentemente se torna comprometida em casos de lesões cerebrais, independente de sua localização. Ela pode ser a única expressão de lesões mais sutis, como em traumatismos cranio-encefálicos leves e AVCs (Coutinho, Mattos e Abreu, 2010).

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Tipos de Memória: Como vai sua memória... prospectiva, operacional?

Essa semana vou escrever um pouco sobre Memória. Assim como acontece com a Atenção e outras funções cognitivas, a Memória também pode ser prejudicada em várias condições neuropsiquiátricas e um conhecimento básico sobre o tema pode ser útil para muitos, como cuidadores de pessoas com patologias neurológicas, pessoas que cuidam ou convivem com idosos, pais de crianças pequenas, psicoterapeutas (independente da linha teórica; já escrevi sobre Falsas Memórias em outro texto nesse blog), etc. Desse modo, escreverei sobre alguns tipos de memória de forma muito simples. Para os que se interessarem mais, colocarei algumas referências no final e estarei a disposição para quem quiser trocar algumas ideias.

Em suma, a memória, como processo, se refere aos mecanismos dinâmicas associados com armazenagem, retenção e acesso à informação sobre a experiência passada. Na codificação, transformam-se dados sensoriais (auditivos, visuais, olfativos, etc) em uma forma de representação mental. Na armazenagem, mantêm-se informação codificadas na memória. Na recuperação, você retira ou usa as informações armazenadas na memória (Sternberg, 2008). A recuperação pode ser por evocação (resgate) ou por reconhecimento. A evocação/resgate é uma busca ativa das informação armazenadas(Abreu e Mattos, 2010). É aquela “força” que temos que fazer para lembrar daquela resposta durante a prova, por exemplo. Já o reconhecimento envolve a comparação de estímulos anteriormente registrados com novos estímulos (Abreu e Mattos, 2010). Quanto fizemos uma prova somente de perguntas e respostas, usamos a evocação/resgate; quando fizemos uma prova de múltipla escolha, usamos o Reconhecimento.

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Como está sua (Des) Atenção?

Quando iniciei a especialização em Neuropsicologia a Atenção era a função cognitiva que menos me interessava. Ao adquirir um livro novo, eu logo procurava os capítulos sobre Memória, Funções Executivas, etc. e deixava o capítulo sobre Atenção por último, simplesmente porque pensava que era algo simples e não tão importante e fascinante quanto às outras funções, mas não demorou muito para perceber o enorme equívoco.

Ao longo do curso fui aprendendo o quanto a Atenção é essencial para o bom funcionamento das outras funções cognitivas. Enquanto na graduação, basicamente, só se falava em Atenção quando se estudava o TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade/impulsividade), na especialização tomei conhecimento de que a dificuldade de atenção está presente em várias condições, tais como Depressão, Ansiedade, Demências, Esquizofrenia, Transtorno Bipolar, Lesão Crânio-Encefálica, AVCs, Estresse, Cansaço, Sonolência, Dor, Uso de substâncias psicoativas, álcool, entre outras.

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Psicoterapia e a evocação de falsas memórias

No início da década de 1990, nos Estados Unidos, um membro ligado a uma igreja tentava ajudar uma moça a resolver seus problemas emocionais. Fazia perguntas e tentava encontrar o motivo pelo qual a moça tanto sofria. Depois de algumas sessões com essa estratégia, finalmente a moça conseguiu encontrar o motivo. Era abusada sexualmente pelo pai com a conivência da mãe. Engravidou do pai e foi obrigado a abortar. Seus pais ficaram chocados com as revelações da filha.

Depois de um tempo, num exame ginecológico, descobriu-se com toda segurança que a moça ainda era virgem. Ela era uma pessoa influenciável e no trabalho com o membro da igreja, evocou falsas memórias. Posteriormente, diversos casos vieram a público.

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TERAPIAS COGNITIVO-COMPORTAMENTAIS (integração das abordagens de Beck e Young

O pressuposto das terapias cognitivo-comportamentais é que os pensamentos (conscientes ou inconscientes) influenciam diretamente as emoções e os comportamentos das pessoas. Desse modo, muitas vezes o que causa a ansiedade, tristeza, raiva e comportamentos de esquiva, isolamento ou agressão, por exemplo, não é a situação em si, mas a forma como essa situação é interpretada. Resumidamente, nas terapias cogntivo-comportamentais, procura-se identificar os pensamentos distorcidos, disfuncionais e não condizentes com a realidade e substituí-los por pensamentos mais adaptativos e reais. Consequentemente, emoções e comportamentos mais saudáveis serão a consequência da reestruturação cognitiva.

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A importância da reserva cognitiva

Nos dias de hoje, infelizmente, não é incomum ouvir vários jovens adultos dizendo que já "terminaram os estudos", se referindo ao término do ensino médio. Do mesmo modo, se ouve com frequência adultos de meia-idade dizendo que já estão velhos para voltar a estudar, enumerando várias desculpas para encobrir a resistência de retornar aos bancos escolares. Pode-se dizer, sem dúvida, que essas pessoas estão deixando de obter vários benefícios que poderiam ser aproveitados quando a terceira idade chegar.

Em uma pesquisa realizada na famosa Universidade de Harvard, foram acompanhadas e avaliadas 59 pessoas, durante 50 meses. Essas pessoas tinham como características um alto quociente de inteligência (QI), escolaridade média de 16 anos e média de idade de 70 anos.

Dos 59 participantes, passados os 50 meses de observação, 34 apresentaram tendência à estabilidade (não pioraram seus desempenhos uma vez comparados com a avaliação de base), 14 apresentaram baixo declínio principalmente em tarefas de memória e 11 puderam ser caracterizados com comprometimento cognitivo leve. Nessa população, diferentemente dos dados observados na população geral, a maioria dos sujeitos não declinou ao longo do acompanhamento, sugerindo o alto índice intelectual como fator de "reserva cognitiva".

 

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Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade/Impulsividade em adultos

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade/impulsividade (TDAH) é uma condição neurobiológica que atinge cerca de 3 a 7% da população. Pode ser do tipo predominantemente desatento, predominantemente hiperativo/impulsivo ou do tipo combinada. Sabe-se que novas classificações de TDAH estarão presentes na próxima versão do DSM, o manual de transtornos mentais norte-americano.

O TDAH atualmente é muito discutido, às vezes banalizado e frequentemente diagnosticado de forma equivocada em crianças, visto que muitos dos sintomas do TDAH também estão presentes em outras patologias.

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Neuropsicologia e (dis)funções executivas

Nas palavras de Goldberg (2002), assim como uma orquestra não funcionaria bem sem um maestro, ou um exército não funcionaria bem sem um general, nossas funções Cognitivas Superiores, como pensamento, atenção, memória, percepção, linguagem, etc. também não funcionariam bem se não existissem as funções executivas, dependentes do córtex pré-frontal e os circuitos a ele relacionados.

"As funções executivas correspondem a um conjunto de habilidades que, de forma integrada, permitem ao indivíduo direcionar comportamentos a metas, avaliar a eficiência e a adequação desses comportamentos, abandonar estratégias ineficazes em prol de outras mais eficientes e, desse modo, resolver problemas imediatos, de médio e de longo prazo" (Malloy-Diniz et al. 2008".

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Esquemas rígidos e inflexíveis

Desde que nascemos, interagimos com o ambiente e começamos a criar esquemas cognitivos, emocionais e comportamentais. Tudo tem um significado. As nossas experiências deixam marcas, boas ou ruins. Criamos esquemas ao longo da vida de como as coisas são, de como devemos nos comportar, do que é certo e errado e assim por diante.

Esquemas cognitivos são estruturas mentais compostos por crenças, pensamentos, sensações corporais e memórias. São os nossos esquemas cognitivos que influenciam o modo como interpretamos a realidade, o modo como nos sentimos e o modo como nos comportamos. Quando a realidade não está de acordo com nossos esquemas pré-concebidos, podemos lançar mão de distorções cognitivas para adequar a realidade aos nossos esquemas.

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Neuropsicologia Joinville