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Distinção entre Objetivos e Valores nas abordagens Cognitivo-Comportamentais

Historicamente, as Psicoterapias Cognitivo-Comportamentais, particularmente as abordagens de primeira e segunda geração, apresentam características como foco, estrutura, sistematização e objetivos ou metas a serem alcançados. Essas características devem estar presentes não só durante o processo psicoterapêutico como um todo, mas também dentro de cada sessão.

Entre essas marcas registradas das abordagens cognitivistas, os objetivos e metas da psicoterapia devem estar bem claros já no início do tratamento. A cada início da sessão, é esperado que seja definida uma agenda com os temas a serem trabalhados. Tenho a opinião de que essa característica é importante e facilitadora, tanto para o profissional, como para o paciente. No entanto, somente definir os objetivos e buscar alcançá-los é algo suficiente?

Nos casos onde o contrato psicoterapêutico é feito para tratar somente condições agudas, como Transtorno de Pânico, acredito que traçar objetivos é suficiente. Nesse exemplo, a meta é clara: Esbater ataques de Pânico. Mas e quando o tratamento é longo? E quando o paciente não consegue de imediato traçar metas ou objetivos? Nessas situações, penso que a busca pelos valores do paciente são tão importantes quando os objetivos de psicoterapia. Mas o que são valores e como se diferenciam dos objetivos?

De acordo com Hayes (2004), citado por Roemer e Orsillo (2010), valores são qualidades de AÇÃO escolhidas e refletem o que o cliente quer que a sua vida represente. De acordo com as autoras supracitadas, os valores se distinguem de várias maneiras do conceito de objetivos. Embora importantes, os objetivos apresentam certas características que limitam sua utilidade na promoção de um estilo de vida saudável e gratificante. Os objetivos estão mais relacionados ao que a pessoa gostaria de ser, no futuro, mais do que ela é no momento. Embora essas propriedades possam tornar motivadores os objetivos, também podem gerar sentimentos de descontentamento e desesperança, e promover a não aceitação do momento presente. Em contraste, os valores se centram no momento e incentivam a participação e o empenho em atividades valorizadas.

Ainda segundo Roemer e Orsillo (2010), a valorização é conceituada como um processo ou uma direção (p. ex., cuidar da própria saúde e bem-estar), ao passo que o objetivo é um ponto final ou resultado (p. ex., perder cinco quilos). Valores são como bussolas que sempre apontam na mesma direção, independente de onde estamos (Pergher e Melo, 2014).

A falta de clareza de valores é uma das causas de inflexibilidade psicológica dentro da Terapia de Aceitação e Compromisso (uma abordagem de terceira geração), e a inflexibilidade psicológica, por sua vez, leva ao sofrimento psicológico. Por esse e outros motivos, acredito ser importante ajudar os pacientes a reconhecerem seus valores em busca de uma vida mais significativa.

É importante ressaltar que, mesmo com valores bem definidos, não é fácil segui-los. Comportamentos que fazem parte de um processo de construção de uma vida mais significativa podem ser desprazerosos a curto prazo. Se quero ter saúde física, não poderei comer sobremesas ricas em açúcar após todas as minhas refeições, o que pode trazer frustrações ao meu cotidiano. Ainda assim, sem valores definidos, nosso comportamento será determinado apenas pelas contingências imediatas nas quais nos encontramos (Pergher e Melo, 2014).

E você? Têm valores definidos? Age de acordo com seus valores?

 

Referências

 

Roemer, L.; Orsillo, S. M. A prática da terapia cognitivo-comportamental baseada em Mindfulness e aceitação. Artmed, 2010. Porto Alegre, RS.

Pergher, G. K.; Melo, W. V. Terapia de Aceitação e Compromisso, pp. 348. In. Melo, W. V.; Estratégias psicoterápicas e a terceira onda em terapia cognitiva. Artmed, 2014. Porto Alegre, RS.

 

 

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