Neuropsicologia Joinville Blog

Novidades sobre o assunto

Você se faz de vítima?

De acordo com Robert Leahy (2008), um sério impedimento para mudar em terapia é que o paciente frequentemente se vê como vítima inocente. O autor supracitado não está se referindo, nesse caso, aos pacientes que realmente foram traumatizados durantes suas vidas com abusos físicos, psicológicos ou sexuais, por exemplo, mas se referindo às pessoas que veem eventos negativos comuns da vida como um sinal de que são vítimas inocentes.

Pessoas que se colocam na posição de injustiçadas, falhando em visualizar o seu papel (responsabilidade) nos problemas, podem ter dificuldades não só num processo psicoterapêutico, mas em vários lugares, como nos ambientes familiar, social ou profissional. Robert Leahy (2008) elaborou um questionário que, obviamente, não tem fins diagnósticos, mas pode ser útil para que as pessoas possam refletir a respeito desse tema. Por esse motivo, o transcrevo literalmente a seguir:

“Responda às seguintes questões o mais precisamente possível. Pense em como você se sente quando as coisas não estão indo bem. Não há respostas certas ou erradas. Responda sim ou não para cada questão”:

  1. Pessoas aproveitam-se de mim.

  2. Eu mereço um tratamento melhor.

  3. Eu não consigo o que quero por causas das outras pessoas.

  4. As outras pessoas deveriam mudar antes que eu tenha que mudar.

  5. Minhas experiências na infância me impediram de ser feliz.

  6. Eu queria que outras pessoas valorizassem o quanto me sinto mal.

  7. Eu queria poder me vingar de alguém.

  8. Eu me queixo sobre os meus problemas.

  9. Pessoas deveriam estar dispostas a ouvir minhas reclamações.

  10. Coisas terríveis têm acontecido comigo.

  11. Meus problemas são piores do que os problemas das outras pessoas.

  12. Se você me machucar, machucarei você

  13. O mundo é muito injusto.

  14. Eu não deveria ter de agüentar as coisas que acontecem comigo.

  15. Eu não tenho nenhuma boa opção.

Caso você tenha respondido vários “sim”, penso que vale a pena uma reflexão e uma análise das vantagens e desvantagens de se colocar (talvez inconscientemente) no papel de vítima ao longo de sua vida.

Sartre tem uma frase famosa que diz: “Não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você”.

O que você tem feito com aquilo que fizeram (ou não) com você?

Avalie esta postagem
Neuropsicologia Joinville