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A “química dos esquemas” nos relacionamentos amorosos

Não é incomum ouvirmos de parentes, amigos e pacientes que rolou uma “química” ou atração muito forte no início de um relacionamento amoroso, mas depois de um tempo o que era aparentemente perfeito se tornou algo problemático e até traumático.

De acordo em Jeffrey Young, criador da Terapia do Esquema, muitas vezes essa atração nada mais é do que a “química dos esquemas”. Explico. Esquemas iniciais desadaptativos, de acordo com esse autor, é um conjunto de crenças, memórias (conscientes ou não) e sensações corporais relacionados a um tema padrão, ligados a altos níveis de afeto e verdades a priori. São desenvolvidos durante a infância e adolescência e “lutam” para sobreviver. Influenciam inconscientemente o indivíduo a agir de um modo que os perpetue cada vez mais.

Como são ligados a altos níveis de afetos dolorosos quando ativados, o indivíduo lança mão, sem consciência, de algumas estratégias de enfrentamento que, de início, aliviam a dor emocional, mas a longo prazo confirmam cada vez mais o esquema. Um desses modos de enfrentamento é chamado resignação ou manutenção (os outros são a evitação e compensação), onde o indivíduo se “entrega” ao esquema e faz justamente aquilo que o esquema diz. O indivíduo não usa essa estratégia porque gosta de sofrer, mas sim porque é algo familiar, foi assim a vida inteira e os humanos têm necessidade inata de coerência psicológica. Por mais ruim que seja, faz parte da estrutura psicológica. Vejamos alguns dos esquemas mais comuns que as pessoas podem desenvolver e exemplos de resignação, “ou química dos esquemas”:

Esquema de Abandono/Instabilidade: Conjunto de crenças (pensamentos rígidos), memórias e sensações onde o tema principal é o medo de ser abandonado, trocado por outra pessoa, medo constante de que pessoas importantes possam morrer ou ainda crença de que os relacionamentos podem acabar a qualquer momento porque nunca são duradouros. Exemplo de resignação ou “química do esquema”: tendência a se relacionar justamente com pessoas que não estão dispostas a ter um relacionamento sério, de má índole ou emocionalmente instáveis que provavelmente vão abandonar a pessoa, confirmando cada vez mais o esquema.

Esquema de Privação Emocional: Ideias de que suas necessidades emocionais de atenção, carinho, compreensão, empatia e segurança não serão atendidas por nenhuma pessoa ou ainda dificuldade de reconhecer essas necessidades emocionais. Química do Esquema: tendência a se relacionar com pessoas emocionalmente frias, que não demonstram afeto ou ainda, se relacionar com pessoas que moram muito distantes, como em outra cidade ou estado.

Esquema de Desconfiança/Abuso: Crenças de que podemos a qualquer momento ser abusados, humilhados, traídos ou roubados. Desconfiança generalizada quanto a intenção das pessoas. A idéia é que as outras pessoas sempre nos fazem mal de modo proposital. Química do esquema: tendência a se relacionar justamente com pessoas exploradoras, que maltratam ou abusam de algum modo.

Esquema de Defectividade/Vergonha: Crença de que se é inferior, sem valor, indigno de ser amado e com supostos defeitos que causam vergonha. Química do esquema: Se relacionar com pessoas muito julgadoras, críticas e com tendência a focalizar sempre nos aspectos negativos.

Os esquemas iniciais desadaptativos, quando ativados, parecem serem verdades absolutas, embora não o sejam. As estratégias de enfrentamento são difíceis de serem modificadas porque foram adaptativas na infância. Entretanto, o indivíduo com esquemas falha em perceber que o ambiente atual já não é o de infância, onde os esquemas foram formados, e continua usando as mesmas estratégias que atualmente são disfuncionais.

Portanto, cuidado com a “química” logo no início de um relacionamento amoroso. Pode ser seus esquemas operando silenciosamente fora da sua consciência. Pessoalmente, acredito cada vez mais que os relacionamentos mais saudáveis são aqueles construídos aos poucos, sob uma base sólida de prudência, respeito, ética, assertividade e também uma dose de “química saudável”. Como disse Skinner, que outro nome para o amor poderíamos dar senão Reforço Positivo?

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