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Banalização das Terapias Cognitivas?

Nas últimas décadas, as Terapias Cognitivas vem se consolidando como uma das psicoterapias mais influentes em todo o mundo. Com o avanço teórico e técnico das abordagens psicoterapêuticas cognitivistas, além das inúmeras pesquisas indicando evidências científicas de eficácia no tratamento de diversos transtornos mentais, é inevitável que estas abordagens chamem a atenção de um número crescente de pessoas e empresas, incluindo possíveis clientes, psicólogos, profissionais de outras áreas da saúde, editoras e institutos de pós-graduação.

Sendo assim, observa-se cada vez mais profissionais migrando para as Terapias Cognitivas, grande quantidade de livros publicados, clientes esperançosos em curar problemas sérios em poucas semanas e cursos de pós-graduação a preços módicos. Frente a esses dados observados, inevitavelmente imerge uma dúvida: As Terapias cognitivas estão sendo banalizadas?

Para responder a essa pergunta é necessário reflexão, observação e cautela para que a resposta não seja generalizada e/ ou regionalizada. Mesmo tendo-se esse cuidado, no entanto, acredita-se que de certa forma há indícios de banalização das Terapias Cognitivas. Entende-se aqui por banalização o processo de transformar algo complexo e científico em algo do senso-comum e ainda a utilização de um conhecimento sofisticado por um indivíduo sem que este tenha subsídios teóricos e técnicos para essa utilização.

O que leva a essa opinião, como já citado brevemente, é a observação constante de pessoas procurando a Terapia Cognitiva para resolução de problemas complexos, como se estes fossem facilmente resolvidos; psicólogos de outras abordagens migrando para as terapias cognitivas sem afinidade conceitual e sim por questões mercadológico-financeiras; número excessivo de cursos de pós-graduações com qualidade duvidosa e elevado número de livros lançados com conteúdos semelhantes, inclusive sendo alguns desses livros dos mesmos autores, organizadores ou grupos de pesquisa.

De modo geral, a maior divulgação das Terapias Cognitivas pode trazer benefícios para profissionais de diversas áreas e principalmente para clientes em sofrimento psicológico, mas é preciso responsabilidade e senso ético para não se usar as Terapias Cognitivas de modo descompromissado e com ênfase somente em benefícios particulares.

Há que se destacar o esforço da Federação Brasileira em Terapias Cognitivas (FBTC) ao criar mecanismos de certificação da qualidade dos terapeutas cognitivos, muito embora essas certificações não sejam suficientes e tampouco facilmente acessíveis a todos os profissionais que queiram se submeter a essa avaliação. Além disso, no Brasil é permitido que um profissional graduado atue sem especialização em determinada área, logo, certificações de qualidade não são um impeditivo para profissionais desqualificados atuarem.

Mais do que uma prova de conhecimentos, acredita-se que seja necessário aprimoramento constante dos profissionais já especialistas; critérios rigorosos na escolha de cursos de pós-graduação aos interessados; necessidade de supervisão e/ ou grupos de estudos aos profissionais iniciantes; responsabilidade ética aos que escolhem as Terapias Cognitivas por questões mercadológicas; maior cuidado aos outros profissionais ao indicarem pessoas às Terapias Cognitivas para que não se crie falsas esperanças de tratamentos milagrosos; cuidado aos clientes ao escolherem um Terapeuta Cognitivo e conscientização por parte das empresas como editoras e institutos, pois se a banalização das Terapias Cognitivas realmente for um fato real, uma das primeiras consequências é a perda da qualidade e cientificidade da abordagem, o que traria prejuízos a todos os envolvidos.

A guisa de conclusão, as Terapias Cognitivas tem se mostrado um tratamento eficiente para grande número de problemas e transtornos psicológicos, mas essa abordagem necessita de um profissional capacitado para aplicá-la de forma eficaz e ética. Como os textos antigos já nos ensinavam, a Terapia Cognitiva não é uma mera aplicação de técnicas descontextualizadas, tem uma forte base epistemológica científica que a sustenta e o conhecimento profundo dos pressupostos teóricos é fundamental.

 

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