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Distinção entre Preocupações Produtivas e Improdutivas

Distinção entre preocupações produtivas ou improdutivas

Na prática clínica as preocupações estão entre as queixas mais frequentes e normalmente surgem em forma de perguntas, como: “Será que vai dar certo”?;  “Vou conseguir pagar minhas contas”?; “Será que meu filho está bem”? Essas e outras preocupações, muitas vezes bem mais catastróficas, povoam a mente de muitas pessoas que em vão tentam se livrar das preocupações afastando-as de sua consciência ao invés de questioná-las. Ao afastar uma preocupação, por um breve momento a ansiedade diminui, no entanto, acaba voltando posteriormente. O afastamento das preocupações da mente é um exemplo de reforço negativo, onde o alívio momentâneo da ansiedade reforça o comportamento de se esquivar das preocupações.

A preocupação não é necessariamente ruim.  Como qualquer outra característica humana, tem uma função filogenética importante, pois antevê possíveis problemas que poderão ser resolvidos para não sermos pegos de surpresa. O problema começa quando nos preocupamos com coisas que não temos o mínimo controle ou que tem probabilidade muito pequena de acontecer. Há estudos que mostraram uma hiperatividade no córtex pré-frontal em pessoas que se preocupam excessivamente. Não por acaso uma das várias funções dessa região é a Antecipação.

Robert Leahy (2006) costuma distinguir as preocupações entre produtivas e improdutivas (ou úteis e inúteis). As primeiras são aquelas que podem ser transformadas em solução de problemas. São preocupações que, se o indivíduo não tomar uma providência, é provável que algum desfecho negativo aconteça. Se uma pessoa tem muitos compromissos durante o dia e tem uma prova difícil na semana seguinte, a preocupação de encontrar um tempo para estudar é produtiva, já que diminuem as chances de uma nota baixa, o que é bem provável de acontecer caso o indivíduo não estude.

Já as preocupações improdutivas são aquelas previsões que o indivíduo faz que até podem vir a acontecer, mas são muito improváveis e/ ou o indivíduo não tem qualquer controle sobre elas. Leahy dá o exemplo de uma pessoa que irá viajar para muito longe de carro. A preocupação útil é dar uma olhada nos freios, ver se tem gasolina suficiente, óleo, etc. Já a preocupação inútil é pensar que os pneus podem estourar (mesmo estando bons), ou que pode ter um ataque cardíaco enquanto dirige, ou ainda que algo de ruim vá acontecer com as pessoas que vão ficar em casa. São preocupações que fogem completamente do controle do sujeito e ele pouco pode fazer a respeito.

Nesses casos, uma das técnicas muito utilizadas para ajudar as pessoas que se preocupam demais é distinguir as preocupações que tem no dia a dia. Por meio de um monitoramento, toda vez que a pessoa se preocupa ela pode analisar se as preocupações são produtivas ou não. Se for produtiva, pode tentar resolver o problema. Se improdutiva, pode responder com um pensamento mais racional. Aí vai uma dica. Como dito no começo, a preocupação quase sempre vem em forma de pergunta. Nesses casos, uma pergunta nunca pode ficar sem resposta, pois caso contrário vai ficar reverberando na mente. Não fuja das preocupações. Analise-as! Usando as três preocupações citadas no começo desse manuscrito, exemplos de respostas racionais seriam, respectivamente: “Não tenho certeza de que vai dar certo, mas a probabilidade de eu conseguir é grande, pois me preparei muito para isso”; “Vou conseguir pagar minhas contas sim, pois todo mês eu consigo e não há nada de diferente nesse mês em relação aos outros”; “Meu filho está bem, ele já é adulto, sabe se virar e não tem nenhum problema algum”. Obviamente, para que dê resultado, esse exercício precisa ser repetido muitas vezes, como qualquer outro aprendizado.

Além dessa técnica simples várias outras podem ser utilizadas no combate as preocupações e ansiedade de modo geral, como a Respiração Diafragmática. Em casos graves, entretanto, dificilmente a pessoa conseguirá sozinha aliviar seu sofrimento, como por exemplo, no Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG). Nesse caso, é altamente recomendada uma avaliação com um profissional psicólogo ou psiquiatra.

Referência

Leahy, R. L. (2006). Técnicas de Terapia Cognitiva: Manual do terapeuta. Porto Alegre, RS: Artmed.

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