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Como o TDAH interfere na memória de trabalho não verbal?

O modelo de Funções Executivas formulado por Russel Barkley (2007, 2011) para explicar os déficits executivos em indivíduos com TDAH atualmente é um dos mais aceitos na literatura especializada. De acordo com esse modelo, o Déficit de Controle Inibitório está por detrás de todos os outros déficits executivos, como já escrevi em um texto anterior. Controle Inibitório se refere a três habilidades: interromper um comportamento motor ou verbal que poderá ser inapropriado; interromper comportamentos já iniciados que se mostram desadaptativos ou inibir estímulos distratores que prejudicam a execução de alguma tarefa.

O déficit de controle inibitório impede que entre o estímulo e a resposta haja um tempo ou espaço onde entrariam os outros componentes executivos, o que acaba por prejudicar a auto-regulação. Nesse manuscrito, descreverei como o TDAH prejudica a memória de trabalho não verbal, um dos componentes executivos que preenchem o espaço entre estímulo e resposta.

Segundo Barkley (2011), a memória de trabalho não verbal é o “olho da mente”, ‘a capacidade para reter informações na mente – não por meio de palavras, mas de seus sentidos. Portanto, esta função executiva lhe permite deter-se em seus quadros mentais, sons, sabores, toques e aromas. Como a visão é nosso sentido mais importante para a sobrevivência, a memória de trabalha não verbal representa, em grande parte, a capacidade para se engajar nas imagens visuais’.

Em indivíduos com TDAH, a interferência na memória de trabalho não verbal pode ocorrer das seguintes maneiras:

·         Dificuldade de reativar um grande número ou variedade de eventos passados, o que prejudica sobremaneira a evocação de recursos para guiar o comportamento atual.

·         Dificuldades em tarefas ou comportamentos com sequências longas e complicadas, já que o cérebro tem dificuldades de reter todas as imagens mentais.

·         Dificuldade de aprendizagem vicária, ou seja, aprender com os acertos e erros que observou em outras pessoas.

·         Dificuldade de antever. Se há dificuldade para reter imagens passadas na mente, também vai haver dificuldade de prever o que pode acontecer em seguida e se preparar para isso.

·         A autoconsciência chega lentamente. Se não consegue monitorar o seu desempenho, quer em uma tarefa rotineira ou em uma situação social, não é fácil ver em que ponto você está em relação a seus objetivos a longo prazo.

·         Sem uma forte percepção do futuro, a tendência é optar pela recompensa rápida, sacrificando a acumulação gradual de bens. Você será com a cigarra, que passa o verão cantando enquanto a formiga armazena alimento para o inverno.

Todas essas dificuldades quanto à memória de trabalho não verbal podem ser efetivamente melhoradas com o uso de medicação e técnicas psicoterapêuticas e neuropsicológicas adequadas. O primeiro passo, sem dúvida, é acionar os “freios mentais”, ou seja, o controle inibitório. Em próximos textos escreverei sobre como o TDAH interfere em outras funções Executivas.

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