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TDAH: Um defeito nos “freios psicológicos”!

O TDAH é um dos transtornos neuropsiquiátricos mais estudados ao longo da história (Barkley, 2011). Atualmente é amplamente reconhecido como um transtorno válido, embora muitos não especialistas questionem esse diagnóstico. Apesar do embate, qualquer profissional que já tratou uma pessoa com TDAH sabe que o transtorno realmente existe e causa muitos problemas na vida diária dos indivíduos acometidos.

Um dos modelos explicativos de Funções Executivas mais aceitos para o entendimento das dificuldades das pessoas com TDAH é o proposto por Barkley (2008, 2011). Embora o senso comum acredite que o déficit de atenção e hiperatividade sejam a causa primária dos problemas enfrentados por esses indivíduos, Barkley propõe que o Déficit de Controle Inibitório seja a causa originária de outras dificuldades.

O controle Inibitório, ou “freios psicológicos”, como diz Barkley, se refere a três habilidades:

1) inibir a resposta predominante a um evento; 2) interromper uma reação ou padrão de reação já em andamento; 3) proteger, de perturbações, por outros eventos e reações (controle de interferências), esse período de latência e as respostas autodirigidas que ocorrem durante o mesmo.

De acordo com esse modelo, muitos problemas rotulados simplesmente como dificuldade de prestar atenção, dificuldade de esperar algo, decisões impulsivas, fazer comentários sem pensar e reprimir comportamentos inapropriados são, na verdade, problemas com o controle de impulsos (Barkley, 2011). Baixa inibição significa basicamente que existe uma dificuldade para parar pelo tempo suficiente para pensar naquilo que se está prestes a fazer. Desse modo, entre o estímulo e a resposta, não há tempo ou espaço suficiente para entrar em ação outros componentes executivos, como memória de trabalho, controle atencional, modulação de emoções, planejamento e solução de problemas, entre outros.

Esse modelo é extremamente útil para o entendimento e aplicação de técnicas compensatórias no tratamento de indivíduos com TDAH. Para esse transtorno, o medicamento continua sendo o tratamento mais eficaz e de primeira escolha, embora não melhore todos os sintomas e não reestrutura uma série de crenças disfuncionais, problemas de relacionamento, dívidas, etc. que os indivíduos com TDAH vão criando ao longo da vida. Além disso, cerca de 30% de indivíduos não se beneficiam do uso da medicação.

Sendo assim, as técnicas compensatórias são excelentes meios de exercer um controle externo sobre os “freios psicológicos” internos. Há diversos livros de Russel Barkley e outros autores contendo estratégias compensatórias, embora a prática clínica tenha mostrado que dificilmente um paciente com TDAH consegue utilizar essas técnicas sem o auxílio de um profissional.

Nesse breve manuscrito, descrevi brevemente como os “freios psicológicos” são a base para outros componentes executivos, mas isso não é tudo. Em outras oportunidades, escreverei sobre outras funções executivas que possibilitam a auto-regulação, nosso “volante mental”, pois, depois de conseguir parar, é preciso saber para onde ir.

Referências

Barkley, R. A. e cols (2008). Transtorno de Déficit de atenção/hiperatividade: manual para diagnóstico e tratamento. Porto Alegre, RS: Artmed.

Barkley, R. A; Benton, C. M (2011). Vencendo o TDAH adulto: Porto Alegre, RS: Artmed.

 

 

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